quarta-feira, 27 de março de 2013

Ambliopia é caso particular de cegueira  -  parcial ou total.  Para compreendê-la, é necessário antes entender alguns aspectos do desenvolvimento da visão normal. 

Visão é uma função mais cerebral do que ocular.  A luz recebida pelo olho é convertida em eletricidade, que, conduzida pelo nervo óptico, chega ao cérebro visual  (occipital), onde é interpretada como imagem  (percepção de formas e cores).  Assim, pode-se dizer que "quem enxerga não é o olho, mas o cérebro".  Entretanto, o cérebro não enxergaria sem auxílio do olho.  Visão é portanto um trabalho de equipe.

Quando um bebê normal nasce, seus olhos já funcionam, mas o cérebro visual é ainda imaturo  (ainda não aprendeu a enxergar).  Por isto, o recém-nascido vê apenas vultos indistintos.  À medida em que o bebê se desenvolve, o cérebro vai aprendendo a interpretar os sinais elétricos vindos dos olhos, até que, por volta dos 4 ou 5 anos de idade, a visão se equipara à do adulto.

Para que esta maturação cerebral ocorra, é indispensável que os olhos enviem sinais válidos ao cérebro.  E, para isto, é essencial que antes se corrijam eventuais problemas oculares,  como estrabismo, catarata congênita, alta miopia, hipermetropia ou astigmatismo etc.  Nestas eventualidades os sinais enviados pelo olho ao cérebro são confusos, incapazes de gerar imagens úteis.  Privado dos estímulos necessários ao seu amadurecimento, o cérebro não se desenvolve como deveria  e não aprende a enxergar.  A esta deficiência visual chamamos ambliopia.

Para se promover o amadurecimento do cérebro visual  -  e evitar ambliopia  -  é essencial corrigir logo qualquer problema ocular que possa comprometê-lo.

Como o cérebro visual se desenvolve somente até os 6 anos, é necessário fazê-lo antes desta idade.  Quanto mais cedo, melhor a recuperação.
Após os 6 anos, o tratamento da ambliopia daria pouco ou nenhum resultado, e a visão estaria definitivamente comprometida.

A correção dos possíveis problemas pode ser cirúrgica  (como, por exemplo, no estrabismo, na catarata congênita ou na ptose palpebral),  ou clínica  (óculos, atropina, oclusão do olho melhor etc).

Seja clínica ou cirúrgica, a correção é urgente,  ainda em tenra idade,  para que não se perca o prazo para desenvolvimento cerebral da visão plena  -  de preferência antes dos 2 anos de idade  (idade limite para desenvolvimento da estereopsia ou binocularidade, isto é, a capacidade de avaliar distâncias pela atuação conjunta dos dois olhos).

Melhor do que remediar é prevenir.

Os exames oftalmológicos preventivos mais importantes são três:
ao nascimento  (catarata congênita, retinopatias, tumores intra-oculares...)
aos 2 anos de idade  (último prazo para desenvolvimento da estereopsia)
aos 6 anos  (último prazo para tratamento de ambliopia)

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dr Victor Johnson
médico oftalmo-cefaliatra
Campinas SP
(19) 3296-3777

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